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sábado, 3 de novembro de 2012

Cientistas identificam característica inédita da luz em laboratório

Em laboratório, luz se comportou como onda e partícula ao mesmo tempo.
Experiência é um avanço em direção a uma questão antiga da física.


Dois estudos publicados nesta quinta-feira (1º) trazem novas evidências rumo à resposta para uma das mais antigas questões da física: do que é feita a luz?

Desde Isaac Newton, os teóricos debatem se a luz seria formada por partículas ou ondas. No início do século passado, Albert Einstein desenvolveu a ideia de que a luz se manifesta em fótons, que são partículas, mas também podem se comportar como ondas, que são capazes de ocupar diferentes posições ao mesmo tempo.

Aparelho desenvolvido pela Universidade de Bristol para fazer a experiência com os fótons (Foto: Peter Shadbolt/Divulgação)

Até o momento, toda vez que um fóton era observado, se comportava ou como partícula ou como onda, mas os dois aspectos nunca tinham sido observado simultaneamente. A característica observada depende da técnica usada na medição.

Nos trabalhos publicados pela revista “Science”, dois grupos independentes conseguiram medir, simultaneamente, essas duas características da luz -- fenômeno chamado de "dualidade". Uma pesquisa foi desenvolvida pela equipe da Universidade de Bristol, na Inglaterra, e a outra por especialistas do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França.

O avanço obtido no campo da física experimental deve ajudar os físicos teóricos a entender melhor o comportamento dos fótons, que ainda não é explicado com perfeição pelos modelos atuais.

Por tabela, avanços como esse, com o objetivo primário de testar teorias da física, podem levar ainda ao desenvolvimento tecnológico. Os pesquisadores da Universidade de Bristol, por exemplo, criaram um novo tipo de chip em seu estudo.

sábado, 8 de outubro de 2011

Brasil vai gerar energia elétrica com etanol na Antártida

Estação de pesquisas substituirá diesel mineral por etanol hidratado.
Projeto tem apoio da Petrobras e da Vale Soluções em Energia.

O Brasil será o primeiro país a ter energia elétrica gerada tendo como matéria-prima o etanol no continente antártico. A partir de novembro, a Estação Antártica Comandante Ferraz vai substituir o diesel mineral por etanol hidratado na produção de eletricidade.

A iniciativa conta com investimentos de R$ 2,5 milhões vindos de parceria entre a Petrobras Biocombustível, Vale Soluções em Energia (VSE) e pela Marinha do Brasil.

De acordo com o diretor de etanol da Petrobras Biocombustível, Ricardo Castello Branco, a iniciativa abre a expectativa de criação de um novo campo de uso para o etanol brasileiro na produção de energia elétrica, além de possuir um forte efeito simbólico. "Queremos desenvolver na geração de energia elétrica limpa o mesmo conhecimento e competência que temos na área de etanol combustível", disse Castello Branco.

O executivo explica que, a partir de novembro, será realizado um teste na estação Antártica que deve durar um ano, para que a utilização de etanol sob condições climáticas extremas seja analisada. O teste deve consumir 350 mil litros de etanol hidratado, que serão disponibilizados pela Petrobras, assim como o transporte até a estação. "Desenvolvemos tanques especiais para levar o etanol até lá, construídos sobre trenós para que ele deslize sobre o gelo", explica.

Brasil mantém base de pesquisa na Antártida, como parte do Programa Antártico Brasileiro (Proantar) (Foto: Alister Doyle / Reuters)

Novo mercado
Segundo o executivo, a utilização de etanol para geração de eletricidade pode ser um mercado importante no médio prazo. "Veja a necessidade de energia do Japão, por exemplo. Grandes geradores que funcionem a partir de etanol poderiam suprir parte dessa demanda", disse.

Parceira do empreendimento, a Vale Soluções em Energia (VSE), de São José dos Campos (SP) produziu o gerador, com capacidade de 250 quilowatts. Segundo o presidente da VSE, James Pessoa, esse volume de energia é suficiente para abastecer e iluminar toda a estação de pesquisa na Antártica. A VSE é uma parceria entre a Vale (que detém 53% da empresa) e o BNDESPar (dono dos outros 47%), que investe em pesquisa, desenvolvimento e produção de sistemas de geração sustentável.

Pessoa explica que a VSE desenvolveu o gerador que opera com etanol hidratado para geração de energia. "Ao contrário do motor que desenvolvemos para ônibus coletivos que estão sendo testados em São Paulo, o gerador da Antártica não precisa de um aditivo extra e funciona apenas com o etanol hidratado puro", disse.

A VSE também construiu geradores para a Amazonas Energia, da Eletrobras, para produzir energia elétrica na Amazônia de forma mais limpa e reduzir a utilização de diesel na região.

Em 2012, a presença brasileira na Antártica completará 30 anos, e a expectativa é de que toda a eletricidade gerada durante a cerimônia que será realizada venha do etanol. Uma das prioridades do Programa Antártico Brasileiro (Proantar) é a qualidade ambiental das operações do Brasil na Antártica.

Por meio desse programa, gerenciado pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), o Brasil realiza estudos sobre os impactos do aumento da concentração de gases de efeito estufa no planeta, além de pesquisas científicas sobre os fenômenos que ocorrem no continente.