sábado, 24 de setembro de 2011

Baleias saem da Antártica e seguem até mar na Colômbia para reprodução

Cerca de 800 jubartes vão anualmente até a baía de Málaga, no Pacífico.
Os mamíferos aquáticos viajam 8 mil km desde o Polo Sul.


A baía de Málaga, localizada a 550 km de Bogotá, na Colômbia, começou a receber as primeiras baleias-jubarte para reprodução. Os animais frequentam a costa colombiana, banhada pelo Oceano Pacífico, após viajarem 8 mil km desde o Oceano Antártico.

Nesta quinta-feira (22), cetáceos se exibiram na baía, para alegria dos moradores da região. De acordo com Lilian Flores, diretora da Fundação Jubarte, a taxa de natalidade de baleias na área de proteção varia entre 19% e 28%. O número é um dos maiores do mundo, segundo a especialista.

No mês de junho, os animais começaram a aparecer para acasalamento e no fim da gravidez, dez ou 12 meses depois, retornam para dar à luz. Anualmente, cerca 800 cetáceos vão até a região. A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês), estima que existam entre 21 mil e 60 mil exemplares da espécie no mundo.

Cauda de baleia-jubarte é vista na baía de Málaga, na Colômbia (Foto: Luis Robayo/AFP)

Cerca de 800 animais vão até o local, no Oceano Pacífico, todos os anos para reprodução (Foto: Luis Robayo/AFP)
 Fonte: G1.com

sábado, 17 de setembro de 2011

NASA anuncia descoberta sobre bactérias extremófilas que sobrevivem usando o Arsênio no lugar do Fósforo

Analisando extremófilos do Lago Mono cientistas descobriram bactéria que consegue crescer usando arsênio no lugar do fósforo.
Ontem à tarde (02 de dezembro de 2010) na conferência da NASA foram discutidas recentes descobertas das Astrobiologia que, embora não estejam relacionadas diretamente a detecção da presença de vida extraterrestre, assunto especulado largamente antes da discussão oficial, trazem ao mundo novidades surpreendentes sobre a biodiversidade, através de revelações surpreendentes sobre a bactéria GFAJ-1 encontrada no Lago Mono, Califórnia, EUA.

Infelizmente, apesar das chamadas na mídia terem nos alertado ser um tema de exobiologia, esta estratégia usada pode ter sido uma decepção para alguns, afinal, a bactéria GFAJ-1 por si só não nos conta absolutamente nada de novo sobre a possível existência ou não de vida alienígena no cosmos. Mais ainda, esta bactéria também não revela a existência de uma “biosfera paralela” ou de uma “biosfera das sombras”, não representa algo como a descoberta de um novo nicho da vida na Terra, como alegado exageradamente por alguns. Isso posto, não queremos dizer que isto é uma “ducha de água fria” em nossas expectativas, devemos outrossim reconhecer que a descoberta por si só é notável não só para incrementar nosso conhecimento da “vida como a conhecemos” mas também para nortear as pesquisas futuras de busca pela vida extraterrestre.


Deixando a Astrobiologia de lado por alguns momentos e simplesmente focando no fato de que a vida é fantasticamente adaptável em termos da bioquímica nós temos freqüentemente deparado com surpresas a cada passo em que a ciência avança. E é importante que cada novo resultado seja alardeado com trombetas, mesmo que deixem que a mídia especulativa fique a ‘comer poeira’. Afinal, há muito tempo tem sido assumido que a química básica da vida necessita de forma imprescindível da presença de 6 elementos químicos, os quais fornecem os blocos básicos da bioquímica. São eles: hidrogênio, carbono, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre. Apesar da persistente especulação, em geral os cientistas julgam que a vida jamais poderia subsistir sem estes 6 elementos.

Felisa Wolfe Simon no Lago Mono
Agora, nós aprendemos sobre esta bactéria GFAJ-1 encontrada no Lago Mono, Califórnia, pode sobreviver, nas condições extremas de uma experiência fascinante, usando arsênio em seu metabolismo, no lugar do fósforo, sem se envenenar {1}. O arsênio é encontrado em abundância no Lago Mono, em uma das mais altas concentrações naturais de todo o mundo. Caleb Scharf (Columbia University) esclarece sobre o arsênio e o seu papel na química:
"O arsênio é um elemento traiçoeiro! Com números de valência (3 e 5) idênticos ao do fósforo, o arsênio torna-se quimicamente similar a um dos elementos críticos para a vida, o fósforo, contudo, em termos cruéis. A vida depende extensivamente do fósforo, este elemento é chave para a composição do DNA e RNA, faz parte de outra molécula fundamental para a vida, o ATP (Trifosfato de Adenosina) que serve para o transporte de energia para dentro de toada as células vivas, além de outros papéis vitais. O arsênio, por outro lado, pode penetrar com facilidade nas células, roubando o lugar do fósforo por causa das propriedades da sua valência similar. O grave problema aqui é que o organismo que absorve o arsênio, que por sua vez passa a substituir o fósforo nas células, acaba envenenado {1}, pois a bioquímica é um processo notavelmente sensível e o arsênio é um átomo mais pesado (e “mais gordo”) que o fósforo. Esta é a razão que o arsênio tem sido usado como um dos venenos preferidos em criminosas atividades humanas {1}."
Estrutura tetraédrica do íon arseniato

Isso posto, devemos considerar que a descoberta da bactéria GFAJ-1 é realmente intrigante pois além de se capaz de tolerar uma toxina como o arsênio, esta bactéria também é capaz de usá-lo em suas células!
Geometria do íon fostato. Note a similaridade com o íon arseniato.
O time de pesquisadores liderado por Felisa Wolfe-Simon (USGS) reportou na revista Science que o fósforo pode ser substituído pelo arsênio como um bloco de construção alternativo para a vida, algo há muito tempo especulado por escritores de ficção científica. Os cientistas escreveram na Nature:
"O arsênio está posicionado logo abaixo do fósforo na tabela periódica e os dois elementos podem desempenhar um papel similar nas reações químicas em geral. Por exemplo, o íon arseniato, AsO43-tem a mesma estrutura tetraédrica e capacidade de ligação do íon fostato PO43-. O íon arseniato é tão semelhante ao fostato que pode entrar nas células seqüestrando o mecanismo de transporte do fostato, prejudicando a maior parte dos organismos devido a sua alta toxidade."
O time coletou lama do Lago Mono e realizou o experimento de adicionar amostras a um meio salino com concentrações altas de arseniato e em seguida diluindo o material para enxaguar o fostato remanescente. Em um ambiente concentrado de arsênio os cientista perceberam que o organismo cresceu e proliferou nestas condições atípicas em múltiplas gerações desde sua coleta há mais de um ano. O fósforo que restou para estas bactérias estava presente apenas em traços da colônia original de células e nas impurezas encontradas no meio de cultura. 

Os autores explicaram na Nature:
"Quando os pesquisadores adicionaram radioisótopos de arsênio ao solução para rastrear sua distribuição notaram que o arsênio estava presente nas frações celulares que contêm a proteínas, lipídios e compostos metabólicos tais como a glicose e o ATP, além ácidos nucléicos que compõem as estruturas de DNA e RNA. As quantidades de arseniato detectadas nas células eram similares as encontradas na bioquímica normal destas bactérias, sugerindo que o arsênio estava sendo usado da mesma maneira que o fósforo, indistintamente e sem danos ao organismos."
Poderiam estas bactérias substituir naturalmente o fosfato pelo arseniato? Wolfe-Simon disse que os cientistas necessitariam de 30 anos de trabalho a realizar para conseguir entender exatamente o que está acontecendo, ao comentar a natureza preliminar deste estudo. Espera-se que este trabalho permanecerá considerado como controvertido ainda por alguns trimestres e necessitará de extensivo follow-up. Nada se apelar para “biosferas das sombras” por enquanto, mas a busca continuará em desenvolvimento por causa de suas implicações cientificas, que deverão ser oportunamente confirmadas.
A "coluna vertebral" do DNA (a estrutura espiral azulada neste desenho) contém uma cadeia alternada de fosfato ligada a moléculas de açúcar. Fortes evidências indicam que no organismo GFAJ-1, o fosfato é substituído por arseniato. Crédito: Biblioteca Americana de Medicina
Se a vida na Terra iniciou-se isoladamente mais de uma vez, uma descoberta longe de ser demonstrada por este trabalho, então podemos pensar sobre como o surgimento da vida teria ocorrido da mesma forma em distantes exoplanetas, subindo as probabilidades de que vivemos em um Universo onde a vida aparece em quaisquer ambientes onde as chances propícias se apresentam. Contudo, estamos muito longe ainda de tais conjecturas, o que ficou evidente nos depoimentos prestados por Wolfe-Simon e Steven Benner (Foundation for Applied Molecular Evolution) ontem, na conferência de imprensa da NASA. O escritor inglês de ciências Ed Yong escreveu algumas razões que nos levam ao ceticismo:
"Trata-se de um resultado surpreendente, mas mesmo assim, ainda há espaço para questionamentos. Como mencionado, Wolfe-Simon ainda encontrou na amostra uma certa quantidade de fosforo nas bacterias ao final do experimento. Os níveis medidos eram tão baixos que as bacterias não teriam tido a capacidade de crescer. No entanto não estava claro quanto esta fração de fósforo poderia estar influenciando no desenvolvimento da colônia de bactérias. Poderiam estas bactérias genuinamente ter conseguido sobreviver um ambiente totalmente livre do fósforo?"
"Também não está claro se as moléculas baseadas em arsênio eram parte efetiva do portfólio natural de bactérias. Devemos considerar que a equipe de Wolfe-Simon cultivou estes extremófilos usando concentrações de arsênio gradativamente elevadas. Ao fazer isto os cientistas podem ter artificialmente selecionado bactérias que conseguem usar arsênio no lugar do fósforo, provocando aos descentes do Lago Mono evoluírem com novas habilidades (ou substituírem habilidades existentes) dentro das condições extremas em que foram submetidos no experimento."

Caleb Scharf nos recorda que embora o fósforo seja um elemento relativamente raro na natureza (em termos de abundância cósmica), se compararmos com outros elementos bioquímicos fundamentais (hidrogênio, carbono, nitrogênio e oxigênio), este é um elemento milhares de vezes mais abundante que o arsênio no Universo. Assim esta aventada idéia otimista de encontrarmos populosas biosferas inteiramente compostas de formas de vida baseadas em arsênio parece sugestivo mas inteiramente implausível, por causa da raridade cosmológica do arsênio. As experiências com a bactéria extremófila GFAJ-1 fazem uma história fascinante, algo exótico que o circo da mídia adora expor. Paul Davies, um dos autores do artigo, chamou o trabalho de “o início de algo que promete ser um novo campo da microbiologia”. 

Mas, novamente, note aqui a armadilha, quando Davies explica seus pontos de vista:
"O organismo tem capacidade dual. A bactéria pode crescer tanto utilizando o fósforo quanto o arsênio. Isto a torna bastante peculiar, embora esteja bem longe de se chamar de verdadeira ‘vida alienígena’, pertencendo a um ramo distinto da árvore da vida com origem separada. Entretanto, GFAJ-1 pode sugerir a existência de outros organismos muito mais exóticos. O “cálice sagrado” seria um micróbio que não contenha nada de fósforo."


Para saber mais leia o artigo de Wolfe-Simon et al., “A Bacterium That Can Grow by Using Arsenic Instead of Phosphorus”, publicado na Science (02 de dezembro de 2010). Este artigo na Astrobiology Magazine fornece informações sobre os métodos usados pelo time de Wolfe-Simon. No Web site de Wolfe-Simon você poderá checar os trabalhos atualmente em andamento. 

Veja também a evolução das discussões sobre este polêmico assunto em: Críticas aumentam à bactéria de arsénico


Nota
{1} Envenenamento por arseniato: o arseniato pode substituir o fosfato inorgânico no passo da glicólise que produz 1,3-bisfosfoglicerato, produzindo antes 1-arseno-3-fosfoglicerato. Esta molécula é instável e é rapidamente hidrolisada, formando o próximo intermédio do processo, 3-fosfoglicerato. Assim, a glicólise ocorre, mas a molécula de ATP que seria gerada a partir de 1,3-bisfosfoglicerato se perde. O arseniato é uma desacoplador da glicólise e isto explica a sua toxicidade.

Fontes

Artigo Científico

domingo, 4 de setembro de 2011

Cabo Pulmo, o paraíso da vida marinha

Reserva marinha mexicana quintuplica em dez anos o número de peixes


A reserva marinha Parque Nacional Cabo Pulmo, na costa oeste do México, praticamente quintuplicou o número de peixes em dez anos, segundo estudo da Universidade da Califórnia, em San Diego, Estados Unidos.

O projeto de recuperação surgiu a partir do entusiasmo e dedicação da população local que, incomodada pela devastação do ecossistema, estabeleceu o parque em 1995 e, desde então, se dedica a protegê-lo.

"As mudanças mais importantes que observamos é que o número de espécies no parque quase duplicou e o número de indivíduos e seu tamanho, que em conjunto são os quilos de peixes, aumentaram mais de 460%", conta o biólogo marinho Octavio Aburto-Oropeza, do Instituto Scripps.

Experiência inspiradora
Cabo Pulmo tem 71 km² e é quase 70 vezes maior do que a maioria das reservas estudadas até hoje.

As espécies mais comuns na área são garopa do golfo (Mycteroperca jordani), garopa sardineira (Mycteroperca rosacea), pargo cinza (Lutjanus novemfasciatus), pargo amarelo (Lutjanus argentiventris) e cavalinha (Seriola lalandi).

"É surpreendente que as comunidades de peixes em um recife superexplorado possam se recuperar até chegar a níveis comparáveis com aos de recifes remotos, onde nunca ocorreu a pesca humana", avaliou Aburto-Oropeza.

Aburto-Oropeza diz que a criação de áreas marinhas pode "elevar significativamente a produtividade dos oceanos, gerando benefícios econômicos para as comunidades costeiras".

"Poucos legisladores no mundo estão conscientes de que o tamanho e a abundância dos peixes pode aumentar extraordinariamente em muito pouco tempo, a partir do momento em que se estabelece a proteção ambiental e se cria uma reserva marinha", defende.


A população local cuida da reserva e ajuda a reduzir a contaminação, protegendo as espécies em perigo.

Nesta fotografia, tubarões se aproximam da superfície e podem ser vistos sob a água cristalina.
A reserva é lar de leões-marinhos, como estes da fotografia, que tomam sol sobre uma pedra.
A reserva é lar de leões-marinhos, como estes da fotografia, que tomam sol sobre uma pedra.
Para especialistas, o projeto ensina que o sucesso de iniciativas semelhantes depende do envolvimento das comunidades locais.
Um estudo detalhado sobre Cabo Pulmo pode ser encontrado na publicação especializada 'PLoS One Public Library of Sciences'.
Fonte: Msn.com
Fotos de: BBC Brasil

Espécies ameaçadas de extinção

Fotógrafo reúne em livro retratos de animais que podem desaparecer do planeta

Acima, um babuíno de cinco meses de idade, criado em cativeiro.

O norte-americano Joel Satore fotografou em seu estúdio vários animais ameaçados de extinção. Ele faz parte de um projeto que tem a finalidade de aumentar a conscientização sobre a preservação da vida selvagem.

Satore trabalha para a National Geographic Society há 20 anos e planeja registrar mais espécies em extinção em todo o mundo. "As pessoas não vão tentar salvar os animais se não souberem que eles existem", explica ele.

Satore reuniu algumas das imagens no livro 'Raros - As espécies ameaçadas da América', que custa R$ 38.

Satore fotografou a maior parte dos animais em estúdio, contra fundos brancos ou pretos, para dar mais destaque à aparência impressionante das espécies. Acima, uma cacatua-das-palmeiras.
Segundo o fotógrafo, retratar os animais na natureza seria um desserviço a eles, já que alguns, como o animal são tão pequenos que não poderiam ser vistos em seu habitat. A fotografia mostra o 'Phyllobates terribilis', considerado um dos anfíbios mais venenosos do mundo.
Para Satore, as fotos de estúdio fazem com que todos os animais tenham o mesmo tamanho proporcional e sejam tratados com a mesma importância. Na foto acima, um furão-de-patas-negras.

"Fotografar os animais em fundos pretos e brancos significa que cada um deles recebe a mesma consideração", disse o fotógrafo. A imagem mostra a fêmea de um elefante-africano.
Ele diz que pretende mostrar que há "beleza, graça e valor em animais grandes e pequenos" para encorajar as pessoas a lutar por sua preservação. Na imagem, um lêmure-negro.

O fotógrafo trabalha para a National Geographic Society há 20 anos e planeja registrar imagens de espécies em extinção em todo o mundo. Na foto, uma víbora-de-pestana.
"As pessoas não vão tentar salvar os animais se não souberem que eles existem", diz Satore, que tem 49 anos. Na foto, uma raposa da Ilha de Santa Catalina, na Califórnia.
Segundo ele, alguns animais tiveram que ser fotografados dentro de suas jaulas no zoológico, por serem muito perigosos. Nestes casos, ele pintava o fundo da jaula com a cor desejada para o fundo da imagem. Acima, um hipopótamo.
Outras espécies foram difíceis de ser fotografadas porque eram muito rápidas e algumas eram tão raras que só puderam ser levadas para o estúdio com autorização do governo norte-americano. Na imagem, uma salamandra-tigre da Califórnia.
Ele diz ainda que precisava esperar um momento em que os animais parassem de se mover para fotografar, já que era difícil manter o foco da câmera neles. Na foto, um jupará, mamífero que pode ser encontrado na Amazônia.
Satore reuniu algumas das imagens no livro 'Raros - As espécies ameaçadas da América'. Na foto acima, uma tartaruga-do-pântano.
Fonte: Msn.com
Fotos de: BBC Brasil - Joel Satore; National Geographic Stock; Caters

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Marcha dos Pinguins - Cine Clube Lorena

Durante o mês de agosto foi feita uma seleção de 3 filmes com o tema "A figura paterna no cinema",  e os alunos de Biologia foram convidados a assistir "A Marcha dos Pinguins" que foi apresentado no dia 26/08/2011 no Cine Clube Lorena, que fica na Fatea. Veja abaixo uma resenha e o trailer:
Obs: Meu comentário está apenas no final.



O documentário "A marcha dos pinguins" possui duas versões: a original francesa, narrada pelos autores Charles Berling, Romane Bohringer e Jules Sitruk (que fazem as "vozes" do casal central e seu filhote, respectivamente), e a versão norte-americana, que dispensa os comentários dos pinguins e é narrado por Morgan Freeman. Freeman gravou sua narração em apenas um dia. A versão dublada em português conta com as vozes de Patrícia Pilar, Antônio Fagundes e Matheus Perissé.

Lançado em 2006, sendo indicado ao prêmio César de melhor filme vencendo o Oscar de melhor, documentário, "A marcha dos pinguins" conta o ciclo de vida dos pinguins imperadores no desértico gelo da Antártica, desde a busca do companheiro ideal até a preparação dos filhotes para a vida adulta. Interessantemente, entre os pinguins imperadores há uma inversão de papéis entre os machos e fêmeas: que a fêmea deixa o ovo para ser chocado pelo macho, enquanto vai ao mar em busca de alimento. A fêmea regressa entre a altura do nascimento da cria e até dez dias depois. Dentre as centenas de outros pinguins machos, a fêmea encontra o seu par por meio do seu chamamento vocal, passando ela a tomar conta da cria.

Cinematograficamente falando, o documentário é esplêndido. Belíssimas e delicadas imagens, tratadas com aprumado esmero e atentas a todos os detalhes, seja dos gestos dos pinguins, seja da paisagem desértica da Antártica. Cabe lembrare que Jacquet, com o auxílio dos seus dois diretores de fotografia (os franceses Laurente Chalet e Jérôme Maison), filmou em condições bastante adversas, sob intensas nevascas e temperaturas que chegavam a -40°C. Acompanhando a beleza das imagens está uma brilhante edição de som e uma magnífica trilha sonora comandada pela cantora francesa Émilie Simon, que inclusivce ganhou o prêmio César de melhor Trilha Sonora Original de 2006.


Em um cenário de gelo desértico, surge uma bela história da natureza que se repete há milênios e da qual depende a manutenção da espécie: a marcha de milhares de pingüins imperadores em busca do par perfeito. Todo ano milhares de machos e fêmeas se reúnem no deserto da Antártica para um breve período de namoro e fecundação. Durante a chocagem dos ovos e nos primeiros meses de vida do filhote, mãe e pai se revezam nos cuidados com o novo ser.

Por instinto, enfileirados aos montes, machos e fêmeas deixam seu habitat natural em direção ao deserto gelado da Antártica em uma maratona de bravura e sobrevivência até realizar seu ritual de acasalamento. A fêmea deixa o ovo para ser chocado pelo macho, enquanto retorna para o mar em busca de alimento.

Meses se passam e os pingüins machos têm a árdua tarefa de aquecer e proteger o rebento, à espera do retorno de suas fêmeas. A nova família de pingüins terá que se reunir no prazo máximo de 48 horas para que o novo membro receba comida, caso contrário, não sobreviverá.

O reencontro com as fêmeas dá largada à corrida dos machos em direção às águas do Oceano Antártico, a marcha dos famintos. Caberá agora, às fêmeas, a tarefa de preparar os filhos para a vida adulta, até que possam se arriscar sozinhos no mar. Assim, o ciclo se fecha até chegada do próximo Outono.


Ao longo das últimas oito décadas, desde que Robert Flaherty (o `pai` do Documentário) lançou seu belíssimo Nanook do Norte, vários teóricos (entre eles, André Bazin) já discutiram sobre a natureza dos filmes documentais e suas técnicas narrativas – e um dos conceitos mais interessantes estabelecidos nestes debates diz respeito à maneira com que reagimos ao sermos apresentados aos universos retratados por estes projetos. Em outras palavras, encaramos os fatos documentados pela câmera como se estivéssemos acompanhando uma história fantasiosa qualquer – uma percepção que é ainda mais ressaltada pelas técnicas narrativas adotadas pelos documentaristas para prender a atenção do espectador (técnicas e estruturas que vêm da ficção). Desta forma, não é incorreto dizer que até mesmo os documentários podem – e devem - ser encarados também como filmes de "ficção".

"A marcha dos pinguins" retrata um processo absurdamente desgastante que foi refinado ao longo dos séculos com o propósito de proporcionar maior chance aos filhotes, já que, se estivessem muito próximos ao mar quando o verão (um termo relativo na Antártica) chegasse, certamente morreriam afogados ou seriam facilmente devorados pelos predadores. Assim, com seu andar desengonçado, os pinguins refazem a viagem anualmente, sendo capazes de encontrar seu destino mesmo com as constantes mudanças de paisagem que os cerca - e é impressionante perceber como a maioria consegue sobreviver a tantos obstáculos: alguns se perdem no caminho e morrem de frio e fome; outros são devorados pelos leões-marinhos; alguns ovos goram ao permanecerem sobre o gelo alguns segundos a mais do que o ideal, no momento em que as fêmeas os entregam aos machos; e, como se não bastasse, os filhotes recém-nascidos são perseguidos por outras aves.


Contando com dois diretores de fotografia, "A marcha dos pinguins" traz um cenário impressionante, com suas geleiras imensas e a sempre fascinante aurora austral – e o filme nos oferece vários planos gerais que se encarregam de ilustrar a vastidão daquele mundo, além de outros planos subaquáticos que contrapõem a lentidão terrestre dos animais à incrível agilidade que demonstram como nadadores. Além disso, o cineasta Luc Jacquet captura, em quadros mais fechados, detalhes surpreendentes e reveladores de todo o ritual, como o momento em que um pequeno pingüim começa a romper a casca do ovo sob a plumagem protetora do pai. Da mesma forma, a equipe responsável pela captação do som faz um trabalho admirável, superando os obstáculos impostos pelo ambiente hostil ao gravarem desde os passos dos pinguins no gelo até o triste canto de uma fêmea cujo filhote não resistiu ao frio.

Adotando uma locução imaginativa e envolvente, o filme utiliza as vozes de três atores (um homem, uma mulher e uma criança) que fornecem as informações necessárias sempre na primeira pessoa, assumindo o ponto de vista dos pingüins, o que aumenta o vínculo emocional entre o espectador e os animais (mas apenas nas versões francesa e brasileira; a americana, conservadora, emprega uma abordagem mais formal e traz apenas Morgan Freeman numa narração convencional). Em certo momento, por exemplo, ouvimos a voz infantil de um filhote explicando o que sente com relação às viagens empreendidas pelos pais: "Os adultos têm dois lados: o branco é bom, significa barrigas cheias chegando. Já o preto é ruim; são as barrigas vazias indo. Nós somos diferentes, somos completamente cinzas: estamos sempre com fome".



Se há uma falha em "A marcha dos pinguins", esta diz respeito à visão romantizada que o documentário oferece sobre o ritual anual destas aves atípicas, como se os animais fossem movidos por amor aos filhotes. Neste aspecto, o diretor Luc Jacquet comete o erro básico de antropomorfizar os pingüins, atribuindo a estes sentimentos que não se aplicam. Logo na primeira cena, assim que o narrados fala a primeira palavra como se fosse um dos pinguins à espera da "turma". As ações dos animais refletem simplesmente a luta pela sobrevivência da espécie e os mecanismos desenvolvidos para enfrentarem a Natureza.

Ao antropomorfizar os animais e inserir diálogos entre eles, o diretor optou por uma arriscada tentativa de atrair o público. Goste ou não, é isso que o torna diferente de um simples documentário. Se alguém reprovar a película, com certeza será este o motivo já que a parte técnica é impecável. A determinação em perpetuar a espécie é o tema central do filme e o diretor conduz o espectador a admirar cada vez mais os pingüins, animais de comportamento desconhecido da maioria da população mundial. Esse desconhecimento jogou a favor do francês que contou com a curiosidade do público em relação a espécie para garantir o sucesso. As belas paisagens do continente gelado contribuem para um espetáculo que excursiona o espectador ao fim do mundo de maneira encantadora.

Referências:

PS: Depois de digitar tudo isso, confesso que nunca senti tanta dor na minha mão. Pensei que nunca fosse acabar (risos).
Bom, mas essas são críticas retiradas de outras fontes, eu apenas SUPER RECOMENDO assistirem. O documentário é bonito, diferente e emocionante. Possui imagens espetaculares e o locução como se os pinguins estivessem "pensando/falando" é incrível, nos prende mais ainda, deixa tudo mais emocionante.
Vale a pena ver ;)
By: Hugo O. Silva